Nos últimos dez anos a AJAP desenvolveu um intenso trabalho em torno do conceito do JER – Jovem Empresário Rural, defendendo e demonstrando a importância desta figura, com potencial para promover a coesão territorial e a sustentabilidade do espaço rural, e combater a desertificação.
Foi recentemente aprovado em reunião do Conselho de Ministros o decreto-lei que cria o estatuto de «Jovem Empresário Rural», definindo o respetivo procedimento de reconhecimento. Visando a atribuição um caráter distintivo ao empreendedorismo no mundo rural, o diploma procura contribuir para a diversificação da base económica regional, a criação de emprego e a fixação de jovens empreendedores nas zonas rurais, articulando estas ações entre as diferentes entidades da Administração Pública e da sociedade em geral.
O estatuto de Jovem Empresário Rural, nasceu da necessidade de se inverter o fenómeno de desertificação do Espaço Rural e da luta constante da AJAP para que os Jovens que desenvolvem, ou queiram desenvolver, atividades no nesse espaço, sejam reconhecidos como agentes fundamentais para a sustentabilidade e coesão do território rural.
Para a AJAP este conceito que é o JER, pode potenciar o desenvolvimento e criar uma nova dinâmica nos territórios de baixa densidade populacional. Trata-se de levar uma nova atitude para o espaço rural e que é possível com as características inerentes aos jovens, que são entusiastas têm força de trabalho e ideias inovadoras, e consequentemente a capacidade de inverter a tendência de desertificação das áreas rurais, a partir de novas ideias e projetos.
A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal está convicta de que Portugal não terá futuro sem um Espaço Rural mais dinâmico, mais desenvolvido, mais empreendedor, mais jovem, onde a sustentabilidade, a preservação e melhoria dos recursos, associada a uma marca de qualidade de vida são cruciais. A agricultura, as atividades que lhe estão associadas, as novas tecnologias, a inovação nos produtos e serviços, a resiliência dos Jovens Empresários (Agrícolas e Rurais), associada à determinação das organizações da sociedade civil, onde a AJAP assume um papel preponderante, são seguramente capazes de mudar o paradigma.
Os jovens, com o devido apoio, podem desenvolver atividades económicas que os fixem à terra e ao mundo rural. Ao agregar as duas figuras distintas, mas complementares, do Jovem Agricultor e do Jovem Empresário Rural, poderemos assistir a uma forte contribuição para o rejuvenescimento do interior do país, para a implementação de postos de trabalho e para a dinamização da sociedade local.
No dia 11 de novembro de 2017, a AJAP acrescentou aos seus estatutos a figura do JER, e implementará o que estiver ao seu alcance, meios, prioridades e incentivos que permitam prosperar esta nova dinâmica no território nacional.
Tendo em vista a representação e a defesa ativa dos interesses dos Jovens Agricultores Portugueses, a AJAP está associada a várias organizações europeias, sendo neste contexto que integra e marca posição no CEJA – Conselho Europeu de Jovens Agricultores, enquanto membro do Conselho desde 1983.
O CEJA é composto por 30 organizações, e representa cerca de dois milhões de agricultores de toda a Europa, zelando pelos interesses do setor agrícola e contribuindo para o desenvolvimento de políticas e debates relevantes, mantendo sempre a convicção de que a agricultura é vital para a sobrevivência da humanidade e de que os Jovens Agricultores são essenciais para o sucesso do setor. Os objetivos do Conselho, visam a defesa dos interesses dos Jovens Agricultores junto dos meios de decisão política da União Europeia, ceder informação às organizações membro sobre o desenvolvimento e alterações da PAC, fomentar o intercâmbio de Jovens Agricultores, realizar fóruns destinado a melhorar a comunicação e estimular a partilha de diferentes experiências entre estes jovens oriundos de todos os Estados membro da União Europeia.
A AJAP tem tido ao longo dos anos uma forte intervenção junto das instituições que tutelam os Jovens Agricultores, sendo um marco para a defesa dos jovens, na melhoria das condições de instalação enquanto Empresários, nas regiões onde desenvolvem as suas explorações, no apoio à comercialização das suas produções e na promoção da agricultura enquanto atividade estruturante do Espaço Rural. Constituiu, assim, uma importante presença no aniversário do CEJA, pautado por diversas circunstâncias, em que a partilha de informação e a apresentação de sugestões e problemáticas (com vista à resolução), foi uma constante.
Uma comemoração partilhada com dezenas de Jovens Agricultores, personalidades da Comissão Europeia, com o COPA (Comité das Organizações Profissionais Agrícolas), associações e organizações, dividida por dois dias. Num primeiro momento do evento, foi realizada uma Assembleia Geral Extraordinária, em que os pontos de debate foram em torno da PAC (Política Agrícola Comum), levando à intervenção as associações presentes com o intuito de analisar e discutir algumas propostas. O Presidente do CEJA, Jannes Maes relembrou que é necessário que as associações de Jovens Agricultores se mantenham proactivas e que é possível fazer a agricultura crescer, se houver união e coesão num trabalho que tem que ser feito por todos.
O segundo dia do evento pautou-se pela visita a uma exploração agrícola, seguida de uma conferência, que trouxe conceituados oradores ao púlpito, Phil Hogan, Comissário Europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural, Czeslaw Adam Siekierski, Presidente da Comissão do Parlamento Europeu da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e Johannes Frankhauser, Diretor-Geral Austríaco para a Agricultura e o Desenvolvimento Rural, bem como a experiência de alguns jovens agricultores de sucesso.
Phil Hogan frisou que uma das suas preocupações é apoiar os jovens agricultores, implementando ou modificando algumas medidas. «É necessário modernizar e simplificar a PAC, torná-la mais flexível. Precisamos de instalar mais jovens na agricultura, e que levem a inovação e a tecnologia às terras, bem como deverá existir um maior apoio à investigação e desenvolvimento. A questão do crédito tem que ser melhorada, aumentando os pagamentos aos jovens agricultores na sua instalação. Trata-se de serem criados suportes de apoio coesos às novas gerações, que são o futuro da agricultura.»
Johannes Frankhauser apelou à importância de os Estados Membros estarem aptos a criar bons planos para os agricultores. «Deparamo-nos com diversas problemáticas, como o desafio das áreas rurais, os documentos da PAC, entre outros, constituem uma séria preocupação, pois a agricultura é amada por quem a faz, além de que é a responsável por produzir alimentos para a população. Infelizmente é pouca a motivação que existe, é insuficiente, e por isso é necessária uma reforma que nos obrigue a projetar o futuro da agricultura nos próximos anos. Os jovens necessitam de apoio no acesso à terra, no acesso ao financiamento, necessitam de ferramentas… O dinheiro é necessário, pois é o que vai ajudar os agricultores, particularmente numa altura de mudanças climáticas. Os Estados Membros têm que ter a capacidade de apresentar bons planos para os agricultores, e apelo-vos à força conjunta, para que o mercado continue vibrante.»
Czeslaw Adam Siekierski referiu que a educação pode consistir um trunfo para o sucesso futuro na agricultura. «É importante encarar e procurar novas políticas para os meios rurais. Os jovens agricultores necessitam de sentir que os levamos a sério. Acredito que a educação seja uma das chaves importantes para o sucesso e para o futuro, é crucial introduzirmos cada vez mais formação, focada na agricultura. A inovação é outro ponto chave e de interesse, pois é o caminho da agricultura, assim com a competitividade e a sustentabilidade.»
Um evento que celebrou a importante existência de uma organização que é o CEJA e que permitiu a partilha de contactos e opiniões profícuos para a AJAP.
Foi celebrado em Angola, na província de Huíla, um protocolo de cooperação entre a Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) e a Associação dos Jovens Agricultores de Angola (AJANG), que visa a troca de experiência e a formação técnico-profissional agrícola.
Numa cerimónia testemunhada pela Diretora do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas, Mariana Soma, os representantes de ambas as associações manifestaram o seu entusiasmo e agrado na consumação desta parceria. O Diretor-Geral da AJAP, Firmino Cordeiro, afirmou que «se deve desenvolver espírito e vontade profissional para o êxito de uma atuação delineada, que fortaleça elementos catalisadores, que assentem na diversificação económica, uma vez que a agricultura é a base e a indústria é o fator decisivo.»
Uma parceria que pretende impulsionar o desenvolvimento da agricultura, fomentar a produção e minimizar a pobreza da população. De acordo com Yudo Borges, Presidente da AJANG, «permitirá, também, mecanizar a produção agrícola e criar as condições para importantes trocas de experiências com os melhores agricultores de África e do mundo, produzindo dentro dos padrões internacionais, atendendo às normas de segurança e qualidade.»
A AJANG é a primeira e única Associação de Jovens Agricultores a surgir em Angola, e terá a sua sede na Huíla, e à semelhança da AJAP, terá delegados espalhados pelas diferentes províncias. O objetivo principal é reabilitar as camadas jovens na agricultura, fazendo o elo de ligação entre os jovens e as organizações governamentais, ajudando-os a superar diversos constrangimentos, que têm sido os causadores da desistência laboral na agricultura e impulsionadores da procura de outros trabalhos.
O potencial de desenvolvimento agrícola em Angola é vasto, mas há necessidade de superar alguns obstáculos, e o representante da AJANG refere que utilizará a sua experiência enquanto agricultor, como uma das ferramentas de incentivo aos jovens que se pretendam instalar no seio agrícola angolano, bem como contará com o apoio e da AJAP, essencialmente no âmbito da formação agrícola.
«A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, abriu-nos as portas e nós queremos beber da vasta experiência que tem. Nós temos o nosso modelo, em Portugal o modelo é outro, deparamo-nos com duas realidades diferentes, e a nossa parceria vai ser muito importante nessa partilha de informação e aconselhamento», relevou Yudo Borges, deixando evidente que existe uma expectativa muito positiva que advém da parceria de cooperação estabelecida entre as duas associações.
Mediante a estratégia de internacionalização que a AJAP tem levado a cabo, nomeadamente em Moçambique, a Associação esteve presente na Conferência de Investimentos – Lançamento do II Plano Estratégico da Província de Gaza 2018-2027.
Um evento realizado na vila municipal da praia do Bilene, destinado a conhecer as oportunidades de investimento que a província de Gaza oferece nos setores do turismo, da agricultura, dos recursos hídricos, entre outros. «Esta província, é de uma grande riqueza em recursos hídricos, oferece a possibilidade para o cultivo de uma enorme variedade de hortícolas. De facto há muito potencial, portanto, é necessária abertura por parte dos investidores,» sublinhou Firmino Cordeiro, Diretor-Geral da AJAP, reiterando a importância de captar investimento privado, com capacidade de transformar a província.
O ambicioso Plano Estratégico de Desenvolvimento do Governo Provincial de Gaza, pretende impulsionar o progresso e o crescimento socioeconómico da região, nos próximos dez anos, revitalizando uma região que tem sido esquecida quando se trata de investimentos de maior relevância. Gaza é tida como um polo de vantagens competitivas, e para incentivar e atrair investimento, o Governo vai simplificar os procedimentos burocráticos para a abertura de empresas e concessão de licenças, conceder incentivos fiscais e aduaneiros, e melhorar o ambiente de negócios, particularmente para a reforma legal.
«É chegado o momento de Gaza estar na rota dos grandes investimentos, pois esta região é especial e única», proferiu Stella Graça, Governadora de Gaza, lançando o apelo a todos os que fizeram questão de estar presentes, e em particular aos agentes económicos.
O Diretor-Geral da AJAP, entrevistado no decorrer do evento para a TVM-Televisão de Moçambique, deixou também a sua opinião sobre algumas diretrizes que podem levar a província de Gaza ao caminho do sucesso no setor agrícola, «os agricultores têm que estar mais organizados nas suas associações, provavelmente nas suas cooperativas, fazer mais ou agregar aquelas que existem, de forma a que todos os agricultores sintam que este movimento associativo e cooperativo é destinado a eles. Outra coisa em que é necessário pensar é a possibilidade de os agricultores terem acesso a crédito bancário, para alavancar os seus investimentos… Esta é uma preocupação em grande escala, sendo que a banca comercial não tem estado muito disponível para o fazer e há que encontrar mecanismos.”
Após a Conferência de Investimentos, o Governo local e o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar do Botswana, assinaram memorandos de entendimento que visam o desenvolvimento da indústria da carne nesta província, aproveitando o potencial do setor agropecuário. Uma medida que pode trazer a mudança, deixando a expectativa de que outras sejam implementadas e que bons investimentos se concretizem, alcançando a prosperidade.
A água é um recurso natural cada vez mais escasso, sendo incontestável a necessidade de se planear conscientemente a sua utilização, por forma a evitar limitações económicas e sociais, devido à sua insuficiência qualitativa e quantitativa.
A AJAP esteve presente numa sessão de esclarecimento sobre a água, saneamento e desenvolvimento sustentável, que contou com a atual Presidente do Conselho de Administração da “Sanitation and Water for All” (SWA – Água e Saneamento para todos), Catarina Albuquerque, como oradora. Esta organização é uma parceria de governos e seus análogos de desenvolvimento, incluindo a sociedade civil, o setor privado e organismos da ONU, com objetivos de estimular o diálogo político, coordenar e monitorar o progresso em direção às metas de saneamento, água e higiene dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“O direito à água e ao saneamento foram reconhecidos apenas em 2010, ou seja, são fatores que são imprescindíveis ao pleno gozo de uma vida digna e de todos os direitos humanos”, como explicou Catarina Albuquerque, que este foi o mote para incluir a água e o saneamento nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Mesmo tratando-se de um direito, o percurso tem sido atribulado, colocando os Governos a trabalhar de forma progressiva, dentro dos recursos disponíveis, para a sua execução, sendo que a implementação dos ideais de desenvolvimento sustentável apenas será possível através da mudança de conceção de desenvolvimento de cada país.
“As obrigações jurídicas nesta matéria são do governo a nível nacional, mas obviamente que os governos não podem, nem devem fazer tudo sozinhos. Devem estar ao volante dos destinos do país, mas devem poder contar com o apoio de instituições de cooperação, ou agências das Nações Unidas, entre outras”, esclareceu a Presidente do Conselho de Administração da SWA, reiterando também que o papel desta organização é justamente de auxiliar e fazer a ponte com o diálogo governamental.
Atualmente o desafio ainda é colossal, pois, em conformidade com os ODS, se se pretender conseguir a disponibilidade e sustentabilidade de água potável e esgotos sanitários para todos, também se terá que garantir os recursos à fatia da população mundial que não tem possibilidade de financiar os custos desses serviços. Esta situação é particularmente delicada, já que existe uma mercantilização dos recursos e serviços relacionados com a água, que permite o controle dos mesmos por empresas privadas.
Catarina Albuquerque não só abordou a problemática social, mas também ambiental, já que o tema da água e da própria sustentabilidade é um ciclo com falta de alicerces. Os processos antrópicos (ações resultantes da ação humana) como a poluição dos “corpos” de água, são um problema que também exigem medidas coesas e soluções.
É premente criar um planeamento global a longo prazo, que insira nas políticas públicas a universalização dos serviços essenciais, assentes no princípio da igualdade.
Desde que foi criada em 2005 a parceria Estratégica Global, Portugal e China têm vindo a construir os alicerces, que demonstram atualmente a solidez das suas relações bilaterais. No decorrer destes anos envidaram-se um conjunto de esforços, dinâmicas e conteúdos reforçados no que concerne ao diálogo político, às relações económicas e culturais, estreitando-se os níveis de cooperação.
As empresas portuguesas têm-se assumido como parcerias úteis para empreendedores chineses. Acompanhando esta ótica, dos novos mercados, dos novos investidores e de novas parcerias, com vista à concretização de negócios, e como exemplo de quem segue os caminhos estratégicos e profícuos, a AJAP coorganizou e acompanhou uma visita de jovens agricultores chineses a algumas explorações agrícolas portuguesas.
Os jovens agricultores, provenientes de diversas províncias da China, ingressaram nesta viagem a partir de um intercâmbio comunitário, da responsabilidade da Comunidade Europeia, tendo a oportunidade de conhecer diferentes realidades agrícolas em dissemelhantes geografias. A visita, que teve a duração de quatro dias, contemplou explorações de espargos, de arroz, de bovinos, de vinhos, de pera rocha, de hortícolas em hidroponia e de figos da índia, despertando o acentuado interesse na forma como se por cá trabalha a agricultura.
Acolher bem possíveis investidores e mostrar Portugal como um polo de referência e um parceiro de qualidade no espaço da lusofonia é um trabalho contínuo, e se a AJAP o demonstra a partir das iniciativas que organiza, também se manifesta a partir dos eventos que frequenta. Foi o caso da 5ª Gala Portugal-China, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, onde se assinalou os 40 anos de relações diplomáticas. Um evento que contou com a presença do Embaixador da República Popular da China em Lisboa, Cai Run, na conferência sobre as relações bilaterais entre Portugal e China, bem como na gala que se seguiu com a entrega dos Prémios Mérito Empresarial.
O setor agrícola tem padecido de evidentes alterações ao longo dos anos. Se por um lado tem havido um crescente aparecimento de jovens agricultores e de novas culturas, por outro há manifestamente alguns desequilíbrios que ainda são necessários colmatar.
A Conferência Vida Rural com o tema “Valorizar o Interior”, que decorreu no Fundão, reuniu um conjunto de temas relacionados com desafios e oportunidades que apelam ao desenvolvimento da faixa interior do país. Uma discussão em torno da revitalização dos espaços rurais, de medidas para cativar jovens agricultores a instalarem-se no interior do país, da organização e da comercialização.
As regiões do interior de Portugal necessitam de ser valorizadas, a partir de medidas, de políticas e de esforços capazes de suprimir as dificuldades existentes, de forma a catalisar movimentação de massas para essas zonas e a implementação de mais agricultura. Este apelo (da revitalização do interior), cada vez mais invocado, denuncia a falta agravada de escalões mais jovens, do aumento da população envelhecida e de desemprego acentuado, o que se reflete no risco de abandono de zonas com um enorme potencial, se aproveitadas.
O Diretor Geral da AJAP, Firmino Cordeiro, foi um dos oradores da Conferência, tendo também sublinhado a importância e a necessidade da existência de mais regadios em Portugal, que não só ajudam a rentabilizar a agricultura, como também a contrariar a desertificação do interior do país. Neste contexto, vários oradores apelaram à concretização do projeto do Regadio a Sul da Gardunha, que há muito é reivindicado pela Câmara do Fundão e por produtores locais.
A agricultura pode ter um papel preponderante no desenvolvimento do interior do país, mas há que criar políticas territoriais, que consigam limar os problemas existentes. “Novos projetos têm surgido, muitos instalados no interior do país. Temos que continuar a apostar na instalação de Jovens Agricultores, de forma consistente e percecionada em toda a sua dimensão, ou seja, devemos encarar este investimento como integrado numa estratégia mais abrangente e complementar do desenvolvimento regional e nacional. Fixar jovens no interior do país é um contributo para a minimização do preocupante fenómeno de desertificação, para a sustentabilidade e coesão das áreas rurais”, defende o Diretor Geral da AJAP.
A Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) defendeu hoje que são necessários mais regadios em Portugal para ajudar a rentabilizar a agriculta e contrariar a desertificação do interior, replicando projetos como o Alqueva ou de menor dimensão.
Temos de replicar mais 'Alquevas' pelo país, ou 'mini-Alquevas' em certas regiões, de forma a que possamos ter mais água. Se tivermos mais água, mais rentável tornamos a nossa agricultura e mais facilmente contrariamos o abandono e a desertificação do interior", afirmou o diretor-geral da AJAP, Firmino Cordeiro, em declarações à agência Lusa. O responsável falava à margem a conferência "Valorizar o Interior", que está hoje a decorrer no Fundão, distrito de Castelo Branco, numa iniciativa organizada pela revista "Vida Rural" em colaboração com a autarquia fundanense. Frisando a importância da água na agricultura, Firmino Cordeiro subscreveu o apelo que já tinha sido deixado por outros oradores relativo à necessidade de se concretizar o projeto do Regadio a Sul da Gardunha, que há muito é reivindicado por produtores locais e pela Câmara do Fundão.
Segundo referiu, a agricultura está com um maior dinamismo e tem cativado novos agricultores de várias áreas de formação, o que comprova que as potencialidades do país não se resumem ao setor do turismo. "Somos um país de turismo, óbvio, mas somos um país de floresta e também um país agrícola, com solos únicos e com características endafo-climáticas únicas", acrescentou o dirigente desta organização que agrega 13 mil associados, entre jovens agricultores e agricultores membros.
Firmino Cordeiro esclareceu ainda que entre os novos projetos que têm surgido, a maioria estão instalados no interior do país, nomeadamente na Cova da Beira, região em que decorreu a conferência e em Trás-os-Montes. Presente nesta iniciativa, a ex-coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior, Helena Freitas, frisou a importância que a agricultura pode ter no desenvolvimento do interior do país e salientou que são precisas "políticas territoriais" para colmatar os problemas existentes.
"O problema do país não é demográfico. O problema do país é a falta de políticas territoriais. Se tivermos políticas territoriais, seguramente resolvemos os problemas que estão a jusante", disse. Docente e investigadora na Universidade de Coimbra, Helena Freitas anunciou que a sua equipa está a desenvolver um projeto denominado "Cultivar" que visa criar uma rede de competência que permita uma maior valorização dos recursos endógenos.
Reiterou que o conhecimento, a ciência, a tecnologia e os sistemas de organização de produtores são vitais para criar uma agricultura mais competitiva, isto sem esquecer a denominada "agricultura familiar" e o papel que esta componente desempenha em termos produtivos.